Saudade é amor que fica. Lí em algum lugar. E hoje quando escrevo sobre Abre Campo, debruçada nas lembranças, o sentimento é de saudade.
Saudade das professoras que seguraram em minhas mãos, já me guiando para caminhos futuros. Ivete, Verinha, Mazarelo, Zizinha e muitas outras. Grandes mestres, gratidão eterna.
Saudade das brincadeiras, a construção de um mundo à parte, fantástico e maravilhoso, com minhas amigas Elzinha, Eloísa, Goretti, Beth, Elisa, Adriana e tantas mais, sempre tão presentes, que nos encontros parece que o tempo não passou.
Saudade das danças na garagem da Maria do Carmo do Zizinho. Bilisquete anos 70. A música, o ritmo, os amigos, os risos. Ah! que delícia recordar.
Lembro-me do encantamento de todos ao ser ligada a nova iluminação da cidade. Que diversão era ver o efeito das luzes sobre as pessoas. Televisão, a imagem ali pertinho, quem poderia pensar nisso. Gravador, ríamos de como a nossa voz mostrava-se diferente. A evolução da tecnologia. Meu Deus, será que faz tanto tempo assim?!
A emoção da coroação de Nossa Senhora, momento esperado por todo o ano. Saíamos, os anjos, em procissão, tendo à frente o esplendor dos fogos de artifício. Era mágico.
E as serenatas. Vozes mansas e o toque suave do violão na noite calma, ou mesmo a voz de Altemar Dutra, cantor e compositor romântico, em um disco long play de vinil. Era emocionante assim mesmo. Uma noite eu e minhas irmãs recebemos sete serenatas. Pobre papai, já não aguentava mais (Rsrs). Espero que este costume se mantenha na cidade.
O coreto da praça era nossa casa. Nosso ponto de encontro. Fazia parte das conversas, dos sonhos, até das mágoas de amor. Mas…um dia, uma chuva torrencial, o nosso pobre coreto foi arrancado e jogado longe. Hoje fico pensando que a imagem do coreto distante levou um pedaço do que vivi.
Sempre lembrarei de Abre Campo com muito carinho. Tenho lá familiares dos quais tenho grande admiração e orgulho. Minhas amadas avós, vovó Chichica e Vovozinha que hoje são estrelas a brilhar no céu e em minha mente. Exemplos de dignidade e determinação, características estas, que me norteiam ao longo da minha vida. E tantos outros tios e primos que hoje fazem parte da minha memória. Saudade.
Gratidão. Com este sentimento encerro esse momento de reflexão sobre a minha cidade querida. Gratidão aos meus pais, familiares, Nazaré, amigos e todos que foram presença em minha vida nos 15 anos que vivi em Abre Campo. Muito obrigada.