Quando minha mãe, Elísia, me desafiou a escrever para o jornal “O Abrecampense”, confesso que me senti impotente para a missão. Num primeiro momento, minha resposta-pergunta foi: “você não acha minha experiência de vida muito pobre pra escrever?” E sabidamente ela me respondeu: “se convidou é porque sabe que vai escrever o que vale a pena ler”. No mesmo momento, abri meu bloco de notas, deixei de lado qualquer linguagem rebuscada que a advocacia exige e comecei a rabiscar da mesma forma que me sinto estando em Abre Campo, bem à vontade. Só quem é de um lugarzinho onde todo mundo conhece todo mundo sabe o real significado de estar à vontade. Aproveitando a febre do Instagram #10yearschallege, coincidentemente cito aqui que em 2019, completo meus 10 anos de Abre Campo Ausente. Quem me conhece sabe que minha primeira experiência em morar fora foi na cidade de Juiz de Fora e posteriormente na Capital mineira, graças a Deus, e que me perdoem os mineiros à moda carioca. Por onde passei, lembrava e contava os casos da minha infância e pré-adolescência na nossa cidade. Aquela fase dos problemas compartilhados, de fulano filho de ciclano primo de beltrano, que já tanto me irritou, me fazem hoje uma tremenda falta. Não estando mais aí, o reconhecimento alheio incha o ego e qualquer notícia ou expectativa de crescimento e evolução da cidade, como uma simples coleta seletiva de lixo, infla-me o orgulho. A saudade de fazer o “O” da praça de cima até a praça de baixo e repetir o ciclo reiteradamente, da comida de mãe que pega a verdura na horta, da frase da avó que dizia “té logo fogão”, me fazem reinventar necessidades em ir até Abre Campo. A alegria de ver no Natal, a cidade serrana brilhando em luzes e sentir o Déjà Vu de enxergar a árvore em formato de passarinho na praça de baixo e o chafariz na praça de cima, fazem valer a pena qualquer sacrifício de estrada. Continuo seguindo, recebendo perguntas do tipo “Abre Campos fica no Mato-grosso?” “Você é de Martinho Campos?”, e, por enquanto, contínuo respondendo “não, eu sou é de Abre Campo/MG, terra de Vítor e Léo”. Texto escrito em 50 minutos, sem ser revisado, com o coração cheio de saudades e bem à vontade, como me sinto estando em casa.