Hoje vou falar um pouquinho da minha terra natal, de onde me ausentei muito cedo, aos 14 anos. No entanto, por mais que as circunstâncias nos afastem, o lugar em que nascemos e crescemos será sempre especial. Sou a Elis, filha do Satil e da Neusa, irmã de Érica e Elen. Atualmente, trabalho na justiça federal e moro em Petrópolis/RJ. Na minha primeira infância, eu morava na Vila Melinha, o que me permitiu brincar muito na praça de baixo e tirar belas fotos junto às árvores podadas em formato de pássaros. Estudei na escolinha de tia Dôra, onde conheci meus primeiros colegas, sendo que alguns me acompanharam até a oitava série e são meus melhores amigos até hoje. Lá, na Vila Melinha, tive vizinhos tão especiais que se tornaram praticamente da família. O senhor Juca me ensinou a música do Boi Tufão e gravou uma fita comigo. A Dona Etelvina fazia biscoitos deliciosos e me recebia com muito amor. No térreo, morava a Zinha e sua filha Cláudia, minha fiel escudeira na infância. Ali pertinho, no grupo Dom João Bosco, estudei com as queridas tias Carminha e Amalice. Morei alguns meses na rua do Morro, ao lado da casa da minha vó Rita, local com tantas estórias, risos e amor, onde minha família Miranda se reunia aos finais de ano. Minha vó Rita é um capítulo especial na minha vida, conhecida na cidade por suas travessuras, seu jeito franco e bem humorado, ela me proporcionou muitas alegrias e episódios engraçados. Depois, mudei para o bairro que fica atrás da prefeitura, onde minha família ainda reside. Como é gostoso acordar lá, ouvindo o canto dos pássaros e sentindo aquele ar fresco. Lembro da galerinha do bairro se reunindo para jogar queimada e das longas conversas com amigos à noite. São tantas lembranças gostosas e pessoas especiais, que é impossível transcrever em poucas palavras. Sinto muita gratidão por ter crescido em uma cidade do interior, que me permitiu conviver e criar laços afetivos com vizinhos, professores, amigos e familiares. Vou terminar com o trecho de uma música que me faz retornar à minha origem: “o brejo cruza a poeira, de fato, existe um tom mais leve na palidez desse pessoal. Pares de olhos tão profundos que amargam as pessoas que fitar…. mas que bebem sua vida, sua alma, na altura que mandar..são os olhos, são as asas, cabelos de Avôhai…”