Abrecampense Ausente Elisângela Costa Chaves, Lili

Elisângela Costa Chaves, ou Lili. Costa de Zilota, filha de Genica e Chiquito da Rua da Lavra e Chaves, de Chico de Sô Ném e D. Anita, lá do Monte Belo. Sou a caçula de 07 irmãos. Reinaldo, Sandra, Eduardo, Anélia, Edvaldo e Roberto. Sou nascida e criada no sítio Monte Belo, lugar simples onde não faltavam amor e afeto. Lembro dos meus saudosos pais, falecidos tão jovens… Meu pai, sereno, assoviando pelos terreiros e seu orgulho em manter a casa sempre cheia… sobrinhos, amigos e familiares; minha mãe tecendo suas belas colchas de crochê para vender para suas amigas da cidade, fazendo quitandas deliciosas com aquele sorriso largo… Aos finais de semana íamos para cidade vender suas quitandas, queijos e pó de café torrado no fogão a lenha… Lembro-me até hoje do cheiro daquele pó de café que todas as sextas-feiras era entregue na Cotochés e Caixa Econômica Federal… Eu acordava as 6h para “virar o alto” para ir a escola na Aparecida, onde estudei até a 8ª série. Desde nova, aquele lugar era pequeno para mim, sonhava em estudar, voar pelo mundo, até que o destino me tirou, ainda muito nova, meu pai e logo em seguida minha mãe, nos meus braços a luz se apagou. Ainda na escuridão, fui com meu irmão morar “na cidade”. Resolvi fazer faculdade de Direito. Fui para Viçosa realizar meu sonho e logo na primeira semana, Deus leva meu irmão, meu companheiro, Beto. Meu sonho era maior, segui, me formei, realizei meu sonho, a primeira da família com curso superior, o que era quase impossível naquela época para uma menina pobre, “da roça” em Abre Campo. Voltei formada e fui trabalhar no fórum. Em Abre Campo formei uma linda família, tive um lindo filho que reascendeu a luz na minha vida, deu cor aos meus dias… Lá no Monte Belo, naquele cantinho cheio de amor e afeto, criei raízes. Lá, meu irmão, companheiro e amigo Edvaldo também criou raízes e de lá mesmo Deus o levou. Abre Campo está presente em todas minhas lembranças e sentimentos mais lindos e nos menos lindos também. Está presente na minha alma. Meu sonho de continuar voando pelo mundo nunca se apagou, pensava, “quando Mateus estiver maior eu vou”… até que em 2020, decidi seguir trabalhando com o Juiz de Direito, Dr. Carlos Juncken, um anjo em passagem nessa terra, com quem eu já vinha trabalhando em Abre Campo. Peguei Mateus, minha coragem e vim. Aqui estamos nós, em Nova Serrana e sempre que podemos estamos matando saudade das ruas estreitas e calmas de Abre Campo e daquele lugar, simples, cheio de memórias chamado Monte Belo, onde ainda consigo sentir cheiro de pai e mãe, cheiro de família… Não somos Abre-campenses ausentes porque estamos presentes sempre, Abre Campo é nossa melhor memória!