Quando me pediram que falasse da minha terra natal, senti uma grande emoção, pois me vieram lembranças que me fazem transportar no tempo e transbordar de felicidade.
Abre Campo, berço da minha infância, onde, orgulhosamente, nasci e morei até os 25 anos de idade. Sou filha de Antônio Russo Sobrinho (Tozinho) e Jamile Jorge Daher Russo e tenho oito irmãos. Sou casada com Mário Gomes Dias, também abrecampense, temos duas filhas: Priscila e Patrícia.
Vim de uma família tradicional que faz parte da história da nossa cidade. A família da minha mãe é pioneira. Meus avós chegaram de navio diretamente do Líbano e firmaram moradia em Abre Campo. Viveram no histórico casarão ao lado da igreja, que existe até hoje, onde nasceu minha mãe e desenvolveram vários comércios. Os familiares do meu pai vieram da Itália, instalaram-se na região e fundaram a Cotochés, dando início ao comércio de leite ensacado, queijo e doces na cidade.
Minha infância foi maravilhosa! Sou daquele tempo em que brincávamos na rua, no quintal de casa e “roubávamos” frutas no quintal dos vizinhos. Imagine: uma menina tímida e, ainda assim, fazia estripulias… que saudades! Estudei no grupo Escola Estadual Dom João Bosco e me lembro das minhas primeiras amadas professoras, Dona Auxiliadora Fernandes (esposa de Zé Marinho) no jardim de infância e Dona Sônia (esposa de Dé) nas demais séries. Tenho boas lembranças: da merenda gostosa, das apresentações encantadoras no auditório da minha escola, das lindas festas juninas, comemorações ao dia das mães, dos pais, das crianças e professores. Sempre participava das festividades! Adorava o momento de irmos para o pátio hastear a bandeira e cantar o hino nacional.
Depois, concluí o segundo grau, magistério e técnico em contabilidade na Escola Estadual de Abre Campo (Colégio). Fazíamos apresentações maravilhosas e comemorativas de sete de setembro (desfiles com as balizas à frente e, ao final, vinha a fabulosa fanfarra), feira de ciências e torneios de voleibol e futebol. Mas, o que mais me marcou, foram os bailes no “salão do colégio”. Principalmente, os que eram organizados pela nossa saudosa Dona Ita Salgado. Eram fantásticos! Lá aconteceu meu baile de debutantes, entre vários outros inesquecíveis. Aliás, quantas festas memoráveis que me lembro da nossa cidade realizadas na minha adolescência: as grandes “festas da cidade”, os campeonatos de futebol (Abre Campo x Nacional), as rodas de violas no coreto do jardim, os campeonatos de motocross, as festas da nossa tão esperada “Semana Santa”, os belíssimos carnavais com desfiles na rua e, era de praxe, terminar no clube da piscina. Não me esqueço da pureza das amizades e dos passeios que se concentravam no sobe e desce da pracinha central até a igreja, parando às vezes pela ponte. Eram assim que todos se encontravam, novas amizades se iniciavam e até os namoros… Tudo era muito puro, mas muito grandioso em nossos corações.
Bom, concluí o segundo grau e logo comecei a trabalhar, primeiramente dando aula nas escolas rurais, depois trabalhei no comércio: nas lojas Casa Martins, Móvel Móveis e no escritório de Contabilidade da Madalena. Ao mesmo tempo, fazia Faculdade em Carangola (MG), onde estudava nos finais de semana e me formei em Ciências Exatas. Logo depois, fui aprovada no concurso da Caixa Econômica Federal e comecei a trabalhar na agência de Rio Casca (MG).
Casei-me em 1990 na igreja matriz de Sant’Ana em Abre Campo e, um ano após, mudei-me para Juiz de Fora (MG), onde moro até hoje. Aqui tive minhas duas filhas, graduei em Economia, fiz Pós Graduação na FGV. Assim, com o dever cumprido no trabalho, aposentei-me há um ano.
Deixo aqui minha eterna gratidão pela minha pequena e amada cidade, onde ainda moram minha mãe e alguns dos meus irmãos. Ainda, agradeço pelo belíssimo e inesquecível tempo que vivi intensamente uma boa parte da minha vida. Apesar de morar em outra cidade há vários anos, eu e meu marido não perdemos a oportunidade de estarmos sempre na cidade, seja a passeio ou a trabalho, o que continua nos dando imenso prazer.