Abrecampense ausente: Renata Bedette Almeida
Filha de José Nascimento e Cerlane
-Professora, de onde você é?
-Eu sou de Minas Gerais, Abre Campo. Pergunta feita em todos os ciclos pelos meus queridos alunos do Centro de Idiomas da Pontifícia Universidade Católica do Peru.
Que experiência boa poder dividir um pouco sobre as minhas raízes, de como era minha vida simples e feliz nesta cidade e da saudade e lembranças que tenho. Cidade que tem belas paisagens, céu azul, manto verde do campo; encanto e beleza que iluminam. Talvez, para muitos, não seja o lugar mais belo, mas é nele que encontro o silêncio e um infindável bem-estar quando vou ao Brasil para visitar minha família. Cidade do interior onde todos se conhecem e, mesmo morando longe, o Facebook me “conta” tudo. Viva a tecnologia! Lembro-me de uma brincadeira que me fez voltar nesses tempos: “Diz que é de Abre Campo, mas nunca foi a um baile de espuma no Lavras”. Era o máximo aquela ingenuidade de ir a um baile e se molhar toda e não se preocupar com nada, apenas com a espuma nos olhos. “Diz que é de Abre Campo, mas nunca jogou queimada na pracinha.” Cidade pacata que podíamos brincar até tarde na rua, sem nenhum problema. “Diz que é de Abre Campo, mas nunca rezou em inglês com Dorinha.” Eu amava as aulas de inglês e, então, resolvi estudar para ser professora e me formei na UNEC Letras/Inglês, Pós-Graduação em Inglês. Trabalhei por muitos anos nas escolas dos arredores da cidade com os melhores e carinhosos alunos. Ainda tenho o caderno de recordação com todas as cartinhas e mensagens recebidas. Momentos inenarráveis! O destino me traçou uma história de amor e fui para Lima, no Peru, onde dei continuidade aos meus planos formando uma linda família. Desse amor nasceu Maria Fernanda e almejo que ela tenha contato com a minha terra, minha língua e meu país. Tive a oportunidade de viajar e espero poder viajar mais. Amo! Trabalho como professora de PLE-Português (Português Língua Estrangeira) há 5 anos. Amo o que faço e, pelo meu empenho, tive a honra de ser premiada duas vezes para o Encontro Mundial da Língua Portuguesa (EMEP), em Washington DC e Pittsburgh, nos Estados Unidos, para aperfeiçoar meus ensinamentos; entre outros prêmios. Sem falar nos meus cinco minutos de fama no programa de televisão peruana Yo Soy, os quais me abriram as portas para este novo capítulo de ensinar o nosso idioma e a nossa rica cultura para os estrangeiros.