ABRECAMPENSE AUSENTE SANDRA RODRIGUES DE SOUZA

Sou Sandra Rodrigues de Souza, filha de Inácio Nogueira de Souza, mecânico, e sem falsa modéstia muita gente aí aprendeu o ofício com ele. Foi também juiz de paz nas horas vagas. Pai temperamental e amoroso. Mãe: Nilza Martins Rodrigues de Souza, exímia dona de casa, do doce de leite e sonho inigualáveis; carinhosa e doce mãe. Sou a caçula, antes vieram Maria Cristina, Silvinho, Betinha, Geraldinho e Nilcinho. Quininha (Dona Joaquina), foi mãe de coração e de “cobertura” das malinações, toda noite me contava histórias de terror que me faziam adormecer logo. A família de dona Mariquinha fez muita parte da minha família.
Cresci num ambiente familiar de muito caráter, poucas palavras, mais ações. Sou orgulhosa da educação que recebi. Convivi com as avós Zizi, pura diversão e cultura, e Mariquinha, sua avareza me fazia aprontar muito.
Recordo da banca de jornais do Seu Manoelzinho da Estatística, furtava gibi e palavras cruzadas lá com Eth de Deada, acho que também com Eliana de Salete e Juliane de Zé Hermínio; a filha dele, Patrícia, que era colega nossa, dava cobertura. Sem falar dos assaltos na feirinha do Seu Etelvino, a gente gostava muito daquelas caixinhas de uva passa.
Sempre fui insociável, estranha, com um Q de autista; na escola obtive melhoras, graças às amizades, de até hoje, e também das educadoras (dona Auxiliadora, carinhosa e didática; dona Terezinha, exigente, de unhas bem pintadas e grandes; dona Adalci, diretora linha dura. Na Escola da Comunidade de Abre Campo vivi um tempo gostoso, de crescimento e rebeldia. Era bagunceira, tinha uma comparsa de nome Juliane de Zé Hermínio, furtávamos leite em pó pulando a janela do depósito, que ficava na rua, e saíamos correndo, vibrando pelo feito contraventor; havia a diretora Socorro, também linha dura, mas divertida, uma vez fui expulsa da aula de Pe. Geraldo e gostei muito.
Na juventude zoei pra lá e mesmo pelo lado não positivo que vivi, nada a lamentar. Nunca fui de igreja, de ritos e de quartel. Tenho muita fé no Pai, no Filho, no Espírito Santo e em Nossa Senhora, que me vale sempre. Sou feliz e estou de bem com a vida.
“Não estou interessada em nenhuma teoria, amar e mudar as coisas me interessa mais; ideologia, eu quero uma pra viver mas o tempo não para, vamos pedir piedade pra essa gente careta e covarde porque a burguesia fede.”
Hoje habito em Coronel Fabriciano e faço serviço voluntário numa Comunidade de Vida sem fins lucrativos,
Sou eternamente rebelde.