“Saudade: sentimento causado pela distância ou ausência de algo ou alguém”. Começar a falar de Abre Campo, o único sentimento que sinto em meu coração é a saudade. Nasci em Abre Campo, mas fui criada na Comunidade do Pouso Alto. Sinto-me extremamente feliz e orgulhosa em dizer que sou filha de Edalmo Chaves de Souza e Maria Aparecida Teixeira, meus pais que tudo fizeram (e ainda fazem) por mim, foram e são os meus maiores exemplos de vida, demonstração de honestidade e luta para que eu e meu irmão Túlio, pudéssemos conquistar todos os nossos objetivos. Tenho boas recordações da minha infância e também da minha adolescência, como morei por muito tempo na roça, hoje eu guardo lembranças tão simples mas ao mesmo tempo tão cheias de significados.
Lembrar dos meus Pais “panhando” café, plantando feijão, lembrar do terreiro cheio de café maduro para secar no sol, lembrar da minha Mãe subindo para a lavoura de café levando almoço para meu Pai e me carregando junto, tem um significado muito grande pra mim, porque se hoje eu me tornei quem eu sou, eu sou muito grata a Deus pelos meus pais. Sou muito agradecida por tudo que aconteceu na minha vida, e de uma forma especial agradeço e me lembro sempre, daquelas pessoas que de uma forma ou de outra contribuíram para o meu crescimento pessoal e profissional também. Foi na Escola Municipal Ernesto Alves de Miranda, que iniciei meus primeiros anos de alfabetização, entre 1995 e 1999. Lá tenho recordações das queridas Tias: Edilene e Edivany Miranda, Jozélia Amorim, Tia Biu, e não posso esquecer jamais aquela que foi minha primeira professora, Tia Margareth Mesquita. Entre os anos de 2000 e 2006 fui estudar o Ensino Fundamental e Médio na Escola Estadual Abre Campo, sob direção de Vanda Dias e a Cely Conrado como vice. Nesse período, vários professores participaram da minha formação, é até injusto da minha parte citar nomes, porque posso acabar me esquecendo de alguns (e peço desculpas por isso). De vez em quando ainda me lembro de algum ensinamento ou fala de um ou outro… A minha professora de português me acompanhou desde a quinta série até o terceiro ano do ensino médio, querida Sandra Márcia Nogueira. Recordo com carinho das aulas do Ensino Fundamental com a Matemática de Nélia Cristina Braga, o Inglês da Cláudia Ventura, História e Geografia com as irmãs Irene e Sebastiana Alves; Lourdes Brandão com as suas Feiras de Ciências e Consola com as aulas de Ensino Religioso. Já no ensino médio fui aluna de Dona Cleusa, Madalena, Rachel, Maria Mazarello, Claudinho da Farmácia, e amava quando a Sandra Bastos trazia a querida Filisbina para as aulas de Sociologia. Em 2014, me formei em Ciências Contábeis na Univertix em Matipó. Logo após o término da faculdade, quis o destino que minha vida tomasse novo rumo, e um novo ciclo se iniciou, conheci meu esposo, me casei e me mudei para Juiz de Fora. Sou muito feliz e muito agradecida a Deus pela família que estou construindo, pelos sonhos que estou realizando, pelo trabalho que tenho, fruto do meu esforço e dedicação nos meus estudos. Em Juiz de Fora, um novo círculo de amizades eu conquistei, e junto uma nova rotina de vida bem diferente da rotina que eu tinha em Abre Campo, aos poucos fui me adaptando. Mas cá entre nós, sempre, sempre tem uma saudade enorme da “minha casa” na roça, de uma comida feita pela minha Mãe; de ir assistir um jogo de futebol no campeonato municipal com meu Pai; de assistir uma missa na Semana Santa na praça da Matriz Sant’Ana, ou uma festa da padroeira da comunidade do Pouso Alto na Igreja de Santa Rita de Cássia; eu sinto que essas lembranças são a forma de dizer que tudo que vivi valeu a pena. Um detalhe que me deixa muito satisfeita também é ver Abre Campo progredindo, como tem acontecido desde os últimos oito anos. Não me considero uma Abrecampense tão ausente, porque em todas as oportunidades que tenho, meu destino sem dúvidas é Abre Campo. Como diz Chitãozinho e Xororó na música Saudades da Minha Terra: “De que me adianta viver na cidade se a felicidade não me acompanhar…Eu preciso ir pra ver tudo ali, foi lá que nasci…” Agradeço o convite para escrever um pouquinho sobre o que eu chamo de minha saudade diária, minha origem, minha essência. Desejo muito sucesso ao Jornal O AbreCampense. Um abraço a todos!!!