Tereza Cristina da Cruz Pinheiro filha de José Martins Pinheiro Filho e Terezinha da Cruz Pinheiro 😊

Falar de Abre Campo é me lembrar da infância de poeira no pé, joelhos sempre ralados, manga no quintal da Vó e rapa de doce no tacho. Como não me lembrar do bairro em que nasci, onde ninguém tinha muito, mas com o pouco que cada um tinha alimentava sempre o filho de outro alguém. Como esquecer o pãozinho do Sr. Cézar Amorim no domingo de manhã, momento em que sentávamos todos na escadinha da Capela, rezávamos o Pai Nosso e ganhávamos o pão. Ah!, as queimadas na rua do meio (rua Ana Francisca). Foram inúmeras as bolas rasgadas por um vizinho ou outro que não era fã da brincadeira. Cotochés era parada obrigatória pra comer um queijinho.
 Rosário, bairro de gente simples e acolhedor. Bairro de mulheres fortes, que de desafios em desafios venceram preconceitos e não esmoreceram diante da luta.
 Tive o privilégio de nascer em uma família que preserva boas memórias culturais de nossa Cidade. Lembro-me de uma festa de Santana em que minha mãe e minhas tias montaram números de dança, as crianças dançavam bolero e havia uma seresta onde muitos abrecampenses ouviram pela primeira vez o Hino à nossa Cidade: “Abre Campo, cidade serrana, tu és de Santana uma filha adorada és uma terra rica de flores de lindos fulgores de Minas amada”. Lembro-me também do Bumba Meu Boi que era feito em minha casa e do Congado nas festas de Nossa Senhora do Rosário.
Bom, mas um dia a gente cresce e quer voar! Vim para Belo Horizonte em 2015 para trabalhar como doméstica. Trabalhei também como Babá, hoje sou massoterapeuta. Não há dúvidas de que a vida em uma capital nem se compara a vida calma do interior. Busquei um lugar onde pudesse me refazer das lutas de cada dia e encontrei no Espiritismo alimento para minha fé e respostas para questões que trazia comigo desde a infância.
E como bom passarinho que sou, sempre que posso, dou um jeitinho de voltar ao ninho.