Diz a História

Dedé de 10 irmãos

“Tenho 71 anos e lembro que não tinha asfalto que ligava Abre Campo a Rio Casca, uma estrada muito ruim passava aqui perto de casa e bem próximo existia um moinho onde eu passava algum tempo parado vendo os carros passarem, eram poucos, mas eu ficava olhando os poucos carros passarem. A base das pontes não tinham cimento, eram tudo de madeira e as bases das pontes eram feitas de pedras e barro, eram chamadas de pedras secas.  Engraçado que está ali até hoje as bases das pontes. Demorava quase um dia daqui até Rio Casca antigamente. A estrada velha era muito ruim. Os poucos que tinham carro aqui em Abre Campo eram Zé Tramilinha, Alcebídes e Sr. Moisés… que estou lembrando. Então passado uns tempos quando eu tinha 12 anos mais ou menos, veio a estrada para fazer o asfalto e terminaram em 1970 ligando Abre Campo à Rio Casca.

Aqui em casa tinha até bem pouco tempo um engenho de moer cana para fazer rapadura. A coberta foi caindo e desmanchei. Certa vez, meu pai colocou luz tocada a cavalo aqui. Ele colocou uma caixa de marcha de caminhão (meu pai era inteligente) puxada pelo cavalo que andava devagarzinho e as coroas do engenho eram de madeiras que tocavam um correão de pneu do Ford. O cavalo andava muito devagar e dava uma redução enorme, e tinha também uma polia que tocava o gerador e dava uma luz que clareava a casa, tinha luz no terreiro, e tinha também um rádio que funcionava com a energia produzida pela engenhoca.

Ninguém tinha luz por aqui. Meu pai teve esta curiosidade e deu certo muito tempo. Eu tinha de 8 para 12 anos.

Meu pai desmanchou um Ford e fez duas charretes. Diminuiu as almofadas do Ford e as colocou mais estreitinhas. Pegou as rodas e o eixo e formou as charretes. As cabeçadas ele fez de madeira. Foi a primeira charrete que rodou dentro de Abre Campo.

Naquele tempo, meu pai saía no Ford e levava dois homens com ele, pois tinha lugar que o caminhão não passava e os homens tinham que cavar a estrada para o caminhão passar.

Eu lembro também que na Avenida Raul Soares não havia o cais. O Rio Santana era no mesmo nível da avenida. E no final da avenida, depois de onde Sabrina trabalha, havia um matadouro de boi, e quando meu pai levava boi para matar, os animais pulavam dentro do rio e dava um trabalhão danado. Era tudo tocado. Não havia caminhão para puxar. Vicente Nifa (faleceu há anos), irmão do Dirley Nifa (faleceu outro dia), trabalhava para meu pai, entrava no rio para cercar os bois. O cais foi construído de 1970 para cá, na época que Sr. Tonico Chaves e Coronel Pedro Víctor foram prefeitos.