Diz a História: João Batista, Toninho Brasilino e Zinho

 

Lembranças de Zé Júlio!

José Júlio Lisboa era abrecampense. Morava na Rua da Lavra, em frente Senhor Pico. Ele era padrinho de “Zé Brasilino” e “Zinho”. Na verdade, quase toda a rapaziada da Lavra era afilhada dele. Saía de casa todos os dias, e quase sempre levava as companhias de Toninho Brasilino, Zé Brasilino, Zinho e Tuca. Nunca fechava as portas, da cozinha quanto da sala. Zé Júlio era naturalmente engraçado. Lembramos que certo dia, no horário do almoço, Geraldo Clara, morador dos Duques, veio para a cidade, a pé, e quando passou perto da casa do Zé Júlio, este o convidou para almoçar, ainda insistiu falando com Geraldo Clara que ele morava longe e que fazia questão. Então Geraldo subiu as escadas da porta da sala e entrou para almoçar, quando então Zé Júlio saiu pela porta da cozinha e o deixou esperando sozinho e sem almoço.
A esposa do Zé Júlio, Jupira, (ele a chamava de “Pira” e tinha um carinho especial por ela), só fazia para almoço arroz ou feijão. Zé Júlio saía com o prato na mão pela vizinhança gritando as comadres “Taninha”, “Rasma”, “Ginica”, “Dona Geralda”, enfim, por toda a vizinhança pedindo comida e completava o prato, alegava que estava com pressa e que o almoço da “Pira” estava atrasado. Zé Júlio saía de casa cedo, passava na casa do Raimundo Martins, na Rua da “Praia”, depois voltava e passava no Senhor “Mino” ou “Manoel Dirceu”, Waldomiro e finalizava na casa da Dona “Ginica”. Era o trajeto diário. Outro caso foi um sujeito que encontrou Zé Júlio e pediu para ele falar uma mentira sem pensar. Zé Júlio com um semblante triste disse que não podia brincar, pois estava indo ali avisar que a mãe do sujeito estava no hospital e tinha falecido. O sujeito correu para o hospital e só lá descobriu a mentira sem pensar. Certa vez, o Senhor Guilherme Bernardino comprou um engenho do “Antônio Dona Nininha”, lá na “Barreira”, e chamou Zé Júlio para arrancá-lo. Zé Júlio levou suas rotineiras companhias para ajudá-lo. Na hora do almoço, era muita fartura, frango e quiabo, “Toninho Brasilino” partiu na frente para servir e serviu coxa, peito, asa e o sangue, tampou com arroz e quando estava voltando para sentar, Zé Júlio tomou-lhe o prato e disse para voltar e servir novamente, pois Toninho era mais novo do que ele.

Quando Toninho voltou para servir novamente só tinha os pés. Lembramos também que Olegário fazia as entregas de oficial de justiça montado num cavalo rosilho que chamava Beiçola. Quando o animal avistava uma porteira, já diminuía os passos e passava lentamente. Quando queria defecar, o animal levantava o rabo e Olegário deixava-o parar e esperava. Era um animal cheio de manhas. Então Zé Júlio indo para os Duques levar palha para boi, pegou o cavalo de Olegário sem falar com ele. Quando chegou perto de uma porteira, o cavalo parou e Zé Júlio “comeu” na espora e o animal passou pela porteira de qualquer jeito. Daí alguns metros o cavalo levantou o rabo e parou para defecar, Zé Júlio “chamou nele” a roseta, deu alguns arrancos e seguiram. Na semana seguinte, Olegário montou no animal cismado e quando aproximou de uma porteira, o cavalo deu uma arrancada e “banou” Olegário longe. Algumas boas histórias do nosso padrinho e amigo Zé Júlio.