Diz a História

José Gomes de Azevedo (Zito do Rádio)

 

Eu comecei minha vocação por televisão, telefone e rádio aos 7 anos de idade. Vou fazer 81 anos esse ano. Eu nasci no Santo Antônio do Grama e vim morar no Córrego da Barreira aqui em Abre Campo ainda muito jovem. Onde fui criado. Tenho dois irmãos, Zezé e Ióta.

Meu sonho era fazer engenharia, minhas notas eram muito boas, eu iria fazer, tinha certeza, mas meu pai morreu e passamos muita dificuldade. Então fiz técnico em eletrônica a distância, por correspondências através do correios no Instituto Universal Brasileiro.

O primeiro rádio em Abre Campo pertenceu ao Sr. Antônio Lopes que morava no Córrego da Barreira também. Lembro bem, tinha meus 7 anos quando veio um técnico do Rio de Janeiro fazer a instalação do rádio. Muitas pessoas estavam dentro da casa acompanhando aquele feito e eu também. E quando eu vi aquele rádio funcionar deu um toque na minha cabeça. – O Sr. Zito estalou os dedos e disse: “É isso aí que eu quero”. (risos).

Eu estudava em Rio Casca. Pegava uma perua da Barreira até São Pedro dos Ferros e lá eu pegava um trem até Rio Casca e por lá eu ficava a semana inteira na casa do tio Geraldo, irmão da minha mãe, para estudar.

Comecei trabalhar com João Alemão. Um alemão mesmo que veio da Alemanha para instalar uma usina para produzir energia e luz para Abre Campo. Ele também instalava telefone, meu forte era o telefone. João Alemão casou-se com Dona Lourdinha, irmã do Sr. Rubner. Seu nome mesmo eu acho que era assim “Hans Fritz Schering”.

Nós colocamos em Abre Campo 12 Telefones. O Centro do Telefone era entre a Igreja Católica e o Fórum. Tinha todo um processo, com chapinhas, placas, pinos e fios. Em Abre Campo, naquela época nós colocamos telefone na casa do Pascoal Grossi, Tonico Chaves, Dr. Sertório, Dr. Otávio, Dr. Láu, Raimundo Padirinho, Zinito, e outros que não estou lembrando.

Em 1962, Zé Latini irmão de Dona Ofélia, viúva de Hélio Bedetti, colocou o primeiro repetidor para sinal de televisão em Abre Campo, foi instalado no alto da propriedade do Sr.Laninho. Porém o sinal era ruim para Rua da Lavra que ficava encoberta. Então eu mudei o repetidor de sinal de televisão para o alto da propriedade do Nô, onde pegava para todo o Abre Campo. Antes do repetidor, só três pessoas tinham televisão: Raimundo Padirinho, Zezinho da Belga e Dr. Otávio. Era preciso uma antena com mais de 10 metros de altura para pegar apenas um canal. Chegava apenas a TV TUPI de Manhuaçu. Depois passou para TV Itacolomi canal 4. Com o repetidor, começou pegar também Rede Globo preto e branco.

Mais ou menos em 1972, o gerador novo da usina de energia queimou. E passou a funcionar com o gerador velho. O repetidor de sinal de televisão parou de funcionar também porque não era compatível com o gerador velho. Estava passando na Globo a novela Cavalo de Aço, 8 horas da noite na época, e todo mundo ficou “buzinando” porque não tinha a televisão para assistir a novela. Então fui chamado pelo Prefeito Zé Mirote para arrumar. Era preciso compatibilizar os volts do repetidor com o do gerador. E além de fazer a mudança dos volts e arrumar a televisão, eu também compatibilizei o repetidor para televisões em cores. E foi aquela festa. (Risos) O povo passou assistir a novela na televisão em cores. Já tinha alguém que já tinha televisão em cores e não tinha o sinal em cores. Daí começaram comprar televisões em cores.

Eu ganhei pouco a vida toda para dar manutenção nos repetidores em Pedra Bonita, Cachoeira do Livramento, Aparecida e Abre Campo, andava no meu carro com minha gasolina, subia a pé os altos que não tinham estradas, com uma televisão grande e pesada nas costas, além das ferramentas e aparelhos, sem horários. Minha esposa brigava comigo porque o telefone não dava sossego, jogo do Atlético com o Cruzeiro não podia faltar televisão de jeito nenhum. Minha intenção não era salário, não era por causa de dinheiro, eu fazia porque eu gostava. Desde meus 7 anos eu sabia que aquilo era o que eu queria. Eu nasci para isso.