Entrevista com Felipe Bedetti 

Felipe Bedetti, revelação da música popular brasileira e filho da nossa querida Abre Campo, é uma alegria imensurável e uma honra para nós você ter aceitado nosso convite. Muitíssimo obrigado!

Conte-nos sobre você, quem são seus avós e seus pais?

FB : fico muito feliz, muito grato pelo convite e oportunidade. Sou musico e compositor, filho de Helio Bedeti e Maria dos Reis Machado. Meus avós paternos são Ofelia Latini, Hélio Bedeti. E os maternos: Analia Rosa Machado e Dozinho Machado.

Você foi nascido e criado em Abre Campo? Quando deixou nossa terra?

FB: Sim, sou nascido e criado em Abre campo. me mudei pra Belo Horizonte, no inicio de 2017, de certa forma não deixei, estou sempre em Abre campo, visitando minha família e meus amigos.

Quando e como você começou a se interessar pela música? A música veio de berço? Seus pais também ouviam MPB? Você teve algum tipo de influência específica?

FB: Meu pai sempre tocou violão, a música dentro de casa foi e ainda é muito constante, meu pai em sua venda, tocando… Minha mãe também gosta de música, meu irmão mais novo também é interessado, ter contado com isso foi a maior influencia.

Abre Campo sempre gerou filhos músicos. A música faz parte da cultura abrecampense de uma forma muito especial e com você não foi diferente. Uma influência muito importante foi nosso querido e saudoso abrecampense Jésus. Deixou um legado na música em Abre Campo. Fica aqui meu respeito e meu carinho por ele. Você o conheceu? Teve algum contato com ele?  Jésus fez parte de alguma forma no seu processo de interesse pelo instrumento musical?

FB: Conheci muito Jesus, foi um representante importante da música abre campense, tive contato com ele na minha infância,  chegamos a tocar juntos nas rodas de violão que haviam pela cidade, ele tinha um jeito muito bonito de tocar, tive influencia dele sim. Mas aprendi e desenvolvi com meu o pai , que também sempre tocou muito bem. E também com todos os artistas que sempre ouvi. Geraldo Azevedo, por exemplo, tem um jeito muito particular de tocar, reproduzido a harmonia junto da melodia,uma técnica chamada chord Melody, me interessei muito por isso, O Elomar que já tem um violão mais trovadoresco repleto de ponteados, um certo regionalismo, fui seguindo esse caminho.

Como você procura inspiração para escrever suas músicas?  Como é este processo criativo na hora da composição?

FB: A inspiração vem de diversas maneiras, às vezes, a partir de um acorde, de uma harmonia que desenvolvo, algo superficial que me vem na cabeça, mas aí tem o outro lado, que é a transpiração, a concentração, tentar chegar num caminho que me agrade, brinco que nesse momento, é só ficar quieto, que a musica vem, se eu tiver que parar pra fazer outra coisa, perco a ideia toda! Mas sou mais musical, não faço muitas letras, na maioria das vezes, tendo reproduzir tudo que vem em melodias, harmonias.  Por ser do interior carrego comigo essa ligação com a natureza, esse clima que só minas tem, junto disso as canções que falam da terra, as congadas, folias de reis, toadas.. Isso tudo contribui.

O processo de composição também é bem diversificado, a maioria de minhas músicas são em parceria, feitas de diversas formas, ou mando a musica instrumental, pra ser letrada, ou me mandam a letra, pra eu musicar, as vezes acontece de compor ao vivo, acho interessante, saber o que o parceiro quer dizer apenas com uma música sem letra, tem que ficar um conjunto coerente. E eles sempre acertam!

Você é sucesso por onde canta e seus shows estão sempre lotados! Quais são suas atividades musicais, sua agenda de shows e seus projetos? Conte-nos também sobre seu novo trabalho, um disco de músicas autorais. Você contou com alguma participação especial? Como podemos ter acesso ao seu disco?

FB : Estou lançando meu primeiro disco, é um trabalho autoral intitulado ‘’Solo Mineiro’’ um CD com dez canções, que traz esse todo clima interiorano, tem participações especiais de Tadeu Franco e Ladston do Nascimento, que são dois queridos, grandes compositores, e vozes marcantes da música brasileira, fico muito feliz de tê-los comigo. Bons músicos tocando, cada musico fez seu arranjo. ficou um trabalho em conjunto, esse disco poderá ser encontrado em todas as plataformas digitais, diretamente comigo, em shows, e em algumas lojas. Já tenho previsões de lançamento por enquanto em Abre campo, Ponte nova, Ouro Preto, Belo Horizonte. O meu projeto é trabalhar bem o disco, circular com ele, fazer os lançamentos, e continuar sempre seguindo pelas estradas, fazendo cantorias por aí.

A música é uma forma de expressar muito interessante e muito antiga. Desde a antiguidade utilizada em rituais, entretenimento, comunicação e desenvolvimento intelectual. Acrescento nos dias de hoje a música como um produto rentável.

Infelizmente, em minha opinião, há uma queda desenfreada na qualidade das letras, pois buscam algo voltado para o consumo, e não para o desenvolvimento intelectual, desenvolvimento crítico das pessoas e romantismo.

O artista produz um texto melancólico, vulgar, sem qualquer compromisso com a cultura e educação, preconceituoso, ganha um dinheiro e somem, ele e sua música, pois sua música é ruim. Talvez este artista seja talentoso, mas nunca saberemos de fato, como sabemos e comprovamos o talento de Milton Nascimento, Elomar, Geraldo Azevedo, Beto Guedes, Renato Teixeira e tantos outros e suas músicas imortais.

Felipe Bedetti,vejo seu trabalho promissor. Belas músicas autorais, ótimo repertório. Parabéns! Obrigado mais uma vez pela entrevista.

Deixe uma mensagem para os jovens sobre a importância de escolher bem o que cantar e ouvir.

FB : A música que consumimos, penetra dentro de nossas almas, devemos tomar cuidado com o que ouvimos, pela podridão manifesta em algumas canções. Procuramos uma musica que dialogue com aquilo que nos é essencial. Que nos passe algum valor, que traga coisas boas, e que nos faça bem.

Fico muito agradecido, feliz pelo espaço dado, deixo meu abraço a todos do Jornal, aos leitores.  E vida longa ao ‘’O AbreCampense’’!