ENTREVISTA COM O ABRECAMPENSE, PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA E MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS, PROFESSOR VIDIGAL FERNANDES MARTINS

 

O AbreCampense: Bacharel em Ciências Contábeis, Especialista em Contabilidade e Controladoria, Mestre em Engenharia de Produção, Doutorando em Administração de Empresas, atuou em diversos cargos de gestão dentre eles Coordenador dos Cursos de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Controller do Hospital de Clínicas da UFU, Diretor de Planejamento da UFU, Vice-presidente de Fiscalização do Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais, Vice-Presidente do Observatório Social de Uberlândia. Possui mais de 150 artigos em autoria e co-autoria publicados em periódicos nacionais e internacionais. Atua como editor do Periódico Científico “RAGC” Revista de Auditoria, Governança e Contabilidade. Em 2014 tornou-se Membro Imortal da Academia Mineira de Ciências Contábeis e recentemente, 05 de dezembro de 2018, tornou-se membro imortal da Academia Brasileira de Ciências Contábeis, ocupando a cadeira nº 71, dentre outras tantas funções bastantes relevantes. Parabéns pelo brilhante currículo!

Professor Vidigal Martins, como surgiu seu interesse pela profissão e onde está Abre Campo neste contexto?

Eu tive a grata satisfação de nascer em Abre Campo e ser filho de um casal empreendedor e que me ensinou princípios e valores fundamentais para a minha vida, meu pai José Horta Martins e minha saudosa mãe Maria Adelaide Fernandes Martins. Iniciei minha formação escolar na escola Estadual Dr. José Grossi, nessa época já ajudava meu pai nos serviços da fazenda, e também auxiliava a minha mãe nos serviços rotineiros da casa. Desde cedo, meus pais o instigaram aos estudos e ao trabalho, neste sentido, aos 10 anos de idade já trabalhava como feirante, engraxate e sempre que oportuno era balconista no restaurante São Jorge, aos 12 anos coordenava todo o trabalho de gestão de um açougue no bairro da Lavra, sempre conciliando trabalho e estudos. Em 1987, já com 15 anos de idade, meus pais me proporcionaram a oportunidade de cursar o ensino médio em Belo Horizonte. Quando cursava o 3º ano científico assisti uma palestra sobre “Profissões e Mercado de Trabalho”, percebi que a contabilidade apresentava muitas oportunidades de emprego, embora eu tinha objetivos de cursar medicina veterinária, ainda jovem tive muitas dúvidas, mas graças a Deus, escolhi fazer o curso de ciências contábeis e me sinto realizado na escolha. Em 1993, me tornei bacharel em Ciências Contábeis, durante o curso tive a oportunidade de fazer estágios na área de auditoria Contábil, trabalhei em duas grandes empresas de auditoria independente em Belo Horizonte. Em 1995 tive uma proposta de trabalho na cidade de Uberlândia, fui coordenar um projeto de controladoria numa grande empresa no ramo do agronegócio, chegando ao cargo de gerente contábil. Em 1997 fui aprovado em concurso público no cargo de professor da Universidade Federal de Uberlândia e lá se vão mais de 20 anos na docência, seguindo os passos da minha saudosa mãe a professora Maria Adelaide Fernandes Martins.

 

O AbreCampense: Ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Ciências Contábeis é de fato um feito profissional extraordinário. Parabéns! Como aconteceu, como foi o processo de escolha, o que isto representa na prática e como foi vivenciar a emoção desta conquista?

 

Há mais de 20 anos tenho desenvolvido diversos trabalhos na área contábil, tanto na área de gestão quanto nas áreas acadêmica, pesquisa e classista.  Na área da pesquisa em contabilidade e gestão, tive a oportunidade de publicar e apresentar artigos científicos em congressos e periódicos nacionais e internacionais em diversos países da américa do sul, américa central, américa do norte e países da Europa (Suíça, França, Portugal e Espanha). Na área classista, atuei no Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais atuei como Conselheiro Efetivo do Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais – CRCMG (Gestão 2014-2017), nesta entidade fui Coordenador do Grupo de Trabalho de Normas Internacionais de Contabilidade  International Financial Reporting Standards – IFRS (2012 – 2013), Coordenador do Grupo de Trabalho de Ensino (2014 – 2015), Coordenador da Comissão Estadual do Jovem Contabilista e da Integração Estudantil (2016-2017) e membro da Comissão Nacional das Jovens Lideranças Contábeis no Conselho Federal de Contabilidade, Membro da Comissão de Educação Profissional Continuada do CRCMG (2014-2017), Vice – Presidente de Fiscalização (2016-2017) e  Membro da Comissão Científica do Prêmio Internacional de Produção Contábil Técnico-Científica Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá, Edições 2015 e 2017, organizador do livro: Contabilidade Teoria Prática e Pesquisa (CRCMG). Fui membro na Comissão do Conselho Federal de Contabilidade no SESU/MEC que Analisa os processos de Autorização, Reconhecimento e Renovação de Reconhecimento dos Cursos na Área de Contabilidade (2016-2018). Diretor de Assuntos Jurídicos e Contábeis do Sindicato dos Contabilistas de Uberlândia e atualmente Diretor de Marketing e Vice-Presidente do Observatório Social de Uberlândia.

A aproximação com a Academia Brasileira de Ciências Contábeis, iniciou-se em 2016, quando fui indicado pelo Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais, para compor o grupo de organizadores do projeto PROCONTAB – parceria entre a editora Artmed Panamericana e Academia Brasileira de Ciências Contábeis – ABRACICON. Este projeto tinha como objetivo organizar uma coletânea de artigos voltados as áreas de atualização em contabilidade e auditoria. A cada três meses a editora publicava um livro. Atuei como organizador destes livros ao lado de grandes referências da contabilidade brasileira, a professora Dra Maria Clara Cavalcante Bugarim, atual presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis, o professor Dr. Ernani Otti, professor da Unisinos e atual Presidente da ANPCONT – Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Ciências Contábeis e o Professor Antonio Carlos Nasi.  Este último projeto foi marcante em minha carreira profissional, pois tive a oportunidade de trabalhar com esta grande elite de intelectuais da contabilidade brasileira, tendo organizado grandes obras de atualização da área contábil, dado a relevância e considerando que o Brasil na última década deu um grande avanço na contabilidade, ao adotar o processo de harmonização e convergência das normas contábeis brasileiras ao contexto das normas internacionais de contabilidade, além do processo de convergência das normas de auditoria contábil. Este projeto da Abracicon tinha como finalidade trazer conteúdo que permitia os profissionais de contabilidade no Brasil poder atualizar. A professora Dra. Maria Clara Cavalcante Bugarim, atual presidente da Abracicon, e Dr. José Martonio Alves Coelho, ex-presidente do Conselho Federal de Contabilidade, foram os responsáveis por indicar o meu nome, após Assembleia realizada em 19 de junho em Brasília, fui eleito. A Abracicon foi criada em 1980 e completou 38 anos em 2018. Para que uma pessoa possa compor a Academia, é preciso que haja a indicação de dois acadêmicos e que o indicado atenda a princípios de ética, responsabilidade e dedicação. A indicação para a Academia representou um momento singular na minha carreira. Foi uma das maiores emoções da minha vida profissional fazer parte desta elite de intelectuais e imortais da contabilidade brasileira. Por saber da existência de um ambiente de alta densidade intelectual e amizade, estou certo em poder trabalhar e contribuir para o avanço da Ciências Contábeis no cenário nacional e internacional.

 

O Abrecampense Se existe um profissional essencial para qualquer tamanho de empresa, é o contador; ele cuida dos impostos, planeja o fluxo de caixa, avalia o patrimônio, analisa os resultados e ainda ajuda nas decisões presente e futura do negócio. Este profissional é tão importante porque domina a contabilidade, instrumento de excelência na gestão dos negócios.  O empresário Warren Buffett, conhecido como o “guru” dos investimentos financeiros, que tem sua fortuna estimada em US$ 60,8 bilhões, segundo dados divulgados pelo sitio BBC em 16 de janeiro de 2017, está no ranking de terceiro homem mais rico do planeta. Warren Buffett traz consigo uma frase que “A contabilidade é a língua dos negócios”. Com esta mensagem Warren Buffett, infere que “linguagem dos negócios”, como você avalia este contexto?

Neste texto Warren Buffet, eleva a contabilidade como a “Linguagem dos Negócios”, por fornecer informações precisas no que diz respeito às ações humanas dentro das empresas. A análise e interpretação dos registros contábeis podem proporcionar informações monetárias e econômicas relevantes sobre a saúde da empresa, baseando-se nas atividades de negociação e eventos alternativos que podem impactar o negócio no presente e futuro. Melhor ainda, a contabilidade pode oferecer informações sobre projeções futuras e o verdadeiro potencial de crescimento que a empresa tem para o médio e longo prazo. Mas, para isso, entende-se que operar um negócio lucrativo exige a medição dos lucros e as condições financeiras da empresa em intervalos regulares de tempo. O essencial é compreender com o máximo de exatidão possível a capacidade que a organização tem de ser rentável o suficiente para cobrir as perdas, pagar dívidas, realizar novas aquisições e ainda render um bom lucro. Depois de analisar corretamente os dados fornecidos pelas demonstrações contábeis, os empresários podem tomar decisões para projetar as ações futuras do negócio. Os registros contábeis também revelam a posição econômica e financeira dos acionistas, deixando mais claras as informações sobre o presente e futuro da empresa. Lembrando que conhecer as contas da empresa é crucial no processo, mas o objetivo mais importante é analisar as demonstrações de resultados que provêm delas. Assim, o conhecimento das contas não é um objetivo primordial, mas fundamental para ajudar a compreender os objetivos e as ações executadas no negócio.

A contabilidade tem o poder de medir o desempenho dos negócios e, por isso, a linguagem da contabilidade expressa todo contexto histórico do negócio por meio dos relatórios contábeis. Ou seja, o progresso da empresa pode ser comparado e observado com o auxílio das informações contábeis. Assim como qualquer outra linguagem, a contabilidade possui diversos fatores que, se não forem bem compreendidos, podem resultar em interpretações errôneas durante a leitura das informações referentes às ações executada em um negócio. O idioma e alguns símbolos podem diversificar os dados em cada país, mas o significado é o mesmo, portanto para analisar estas informações é preciso da parceria de um bom profissional da contabilidade. Desta forma, Warren Buffett, revela com propriedade quando infere que a contabilidade é a língua dos negócios, pois como investidor de sucesso, com certeza foi assessorado por um excelente contador que o ajudou através da análise das demonstrações contábeis, a fazer fortuna e se tornar o terceiro bilionário do planeta.  Fica a dica, para ser um empresário de sucesso, inspire em Warren Buffett, seja assessorado por um contador e tenha sente em mente que a que “A contabilidade é a língua dos negócios”.

 

O AbreCampense: O Senhor foi (ou ainda é) Coordenador do Projeto Jovens Lideranças Contábeis em Minas Gerais, uma iniciativa do Conselho Federal de Contabilidade.

O que visa este projeto? Como e quem pode participar? Há possibilidade, com o apoio direto do Senhor, trazermos a ideia para Abre Campo e região?

 

Eu fui coordenador deste projeto “Jovens Lideranças Contábeis” em Minas Gerais no período de 2016 a 2017. Este projeto está alinhado com o Conselho Federal de Contabilidade, considerando a importância da participação dos estudantes de Ciências Contábeis e dos jovens profissionais no fortalecimento e desenvolvimento da classe contábil e da sociedade. O projeto Jovens Lideranças Contábeis tem por objetivo estratégico “despertar e fortalecer jovens lideranças na profissão contábil, desenvolver ações empreendedoras e promover a participação social”. Dentre os objetivos específicos do projeto: despertar nos alunos de ensino médio (escolar) o interesse para o curso de Ciências Contábeis, demonstrando o valor da profissão contábil; integrar os estudantes de Ciências Contábeis ao Sistema CFC/CRCs através da sua participação nas atividades e ações do Sistema Contábil Brasileiro; apoiar o Movimento dos Estudantes de Ciências Contábeis (MECIC), incentivando a participação dos estudantes; conscientizar o bacharel em Ciências Contábeis da importância do registro profissional; disseminar entre os jovens profissionais a importância e a força política e social da classe contábil no Brasil; despertar a sociedade brasileira para a importância do profissional da contabilidade no cenário nacional; promover projetos de capacitação para as oportunidades, diante das diversas áreas de atuação da profissão; promover e apoiar eventos e ações dos estudantes e dos jovens profissionais; atuar em parceria com o Programa do Voluntariado da Classe Contábil; proporcionar que as ações desenvolvidas pela comissão resultem na formação de lideranças e de empreendedorismo na classe contábil. O projeto CRCJovem foi consolidado na região de Abre Campo quando eu estava coordenador do projeto em Minas Gerais, tive a oportunidade de disseminá-lo em diversas cidades da região dentre elas: Manhuaçu,  elegemos a época o professor Roberto Fully para ser o coordenador regional, dada a relevância foi divulgado a matéria no portal Caparaó https://www.portalcaparao.com.br/noticias/visualizar/25774/crc-jovem-desenvolve-palestra-e-parceria-em-manhuacu?fbclid=IwAR2LM85hOy1IO6edgaDD1UTkNuRSK7TnPt6vHJAj5scB6ugYOgyDL-gbPKc. Nos anos de 2016 e 2017, proferi diversas palestras e apresentei o projeto Jovens Lideranças em instituições de ensino na região de Abre Campo, dentre elas as Faculdades: Doctum (Caratinga, Manhuaçu e Juiz de Fora); UNEC (Caratinga); UFV e Univiçosa (Viçosa); Dinâmica (Ponte Nova); Unileste (Coronel Fabriciano); FACIG (Manhuaçu); Faculdade do Futuro (Manhuaçu); UNIPAC (Leopoldina); UFJF (Juiz de Fora); UNIVALE (Governador Valadares).

 

O AbreCampense: Professor Vidigal Martins, em 2017 numa entrevista concedida à TV CRCMG, o Senhor destacou que a contabilidade era a 4ª profissão mais demandada no Brasil segundo levantamento do INEP e também naquela oportunidade disse: “O contador tem que ser um empreendedor”.

A contabilidade ainda é a 4ª profissão mais demandada no Brasil e qual a expectativa para os próximos anos? E ainda, qual o tamanho da importância para os contadores serem empreendedores?

A profissão contábil se configura no topo das profissões mais demandadas no mundo, talvez ainda a quarta profissão. No Brasil, o curso de Ciências Contábeis é o quinto curso em número de matrículas no ensino superior segundo o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). De acordo com o último dado divulgado, do Censo da Educação Superior em 2016. O curso de Ciências Contábeis está entre os mais procurados pelos estudantes de graduação e ocupa a quinta colocação no ranking, com 355.425 futuros profissionais.

Considerando a grande demanda pela profissão contábil, o contador(a), para alcançar o sucesso terá que desenvolver diversas habilidades e competências além do espirito empreendedor.  Dentre estas habilidades e competências destaca-se a disciplina, pró-atividade, ética, capacidade de inovar processos e liderar pessoas, maturidade para entender negócios complexos e estar atento as mudanças da tecnologia, dos ambientes interno e externo a organização. O perfil do contador mudou nos últimos anos, a área dos negócios passa por uma grande transformação, devido aos avanços da tecnologia que impacta diretamente a forma de fazer e operar os negócios. Neste cenário o profissional da contabilidade terá que desenvolver seu espírito empreendedor e estar atento principalmente as disrupturas digitais, entender que contabilidade e tecnologia andam de mãos dadas, portanto para ter sucesso profissional neste ambiente de disrupturas tecnológicas o contador(a), terá que estar antenado as mudanças e procurar entender melhor seu cliente, quais as suas necessidades de informações, participar de forma mais ativa e empreendedora na gestão da empresa.

 

O AbreCampense: Obrigado pela atenção e por ter sido tão solícito. Parabéns pela carreira profissional! Mais um abrecampense fazendo muita diferença. Muitíssimo obrigado!