
Raimundo Nonato, conhecido popularmente como Cafezinho, quando você saiu de Abre Campo e quem são seus familiares?
Sou nascido e criado em Abre Campo. Nasci no bairro Rosário numa ruazinha ao lado do campo de futebol. Sou filho de Antônio Balbino Gonçalves, muito conhecido na cidade como Antônio Vitório e da Dona Altamira Maria de Jesus, ambos falecidos. Somos três irmãos, Geraldo Café, o Café velho e eu sou o Cafezinho, que ainda reside em Abre Campo e Adão do Carmo, já falecido. Eu saí de Abre Campo em 1991 quando fui para a Polícia Militar de Minas Gerais.
Nonato, sabemos que hoje você está na reserva da Polícia Militar. Como foi sua trajetória na polícia?
Ingressei na Polícia Militar em janeiro de 1991. Formei como soldado no batalhão de Manhuaçu. A primeira cidade que trabalhei foi a cidade de Ponte Nova, trabalhei lá dois anos. Ainda gosto muito de Ponte Nova. Depois fui transferido de interesse do serviço para a cidade de Santo Antônio do Grama onde trabalhei por pouco mais de dois anos. Então transferi novamente para Rio Casca, com um interesse meu, para ficar mais fácil visitar meus familiares em Abre Campo, pois o acesso era melhor. E Rio Casca trabalhei por mais de vinte anos. Em 2005 fui promovido a Cabo por tempo de serviço e merecimento. Em 2013 fiz o curso especial de formação de sargentos no batalhão de Manhuaçu. Consegui retornar para Rio Casca já como 3º sargento e em 1º de abril de 2015 fui para o quadro da reserva da Polícia Militar com mais uma promoção, 2º sargento.
Nonato, houve uma época em Abre Campo que nos campeonatos municipais havia a participação da rádio Baluarte a qual você fazia parte. Era um evento a parte. Era muito descontraída e hilário. Qual era a sua participação e dentre tantos momentos engraçados, qual foi o mais marcante?
A Baluarte surgiu através de uma brincadeira. Foi mais ou menos nas décadas de 80 e 90 e foi tomando uma proporção muito grande. As pessoas gostavam da proposta da Baluarte. Era uma brincadeira de coisas sérias. Eu fazia entrevista com os jogadores usando um gravador velho. Lembro de entrevistar Gainha, Zezinho Paletó, e tantos outros. Começamos com o aparelhinho velho, depois surgiu o Dén como narrador. Havia um poste com um alto falante e pegávamos emprestado um microfone com Padre Geraldo, ele sempre emprestava o microfone da igreja para narrarmos os jogos. Dén era o narrador esportivo e eu o repórter de campo. Depois saímos do alto falante e vieram as montagens de sons nos campeonatos municipais. Também passou a fazer parte da rádio como comentarista, Wilson de Pico, apelidado pelo Dén como Wilson Quifuri. Eu era o Cafezinho Datena. Depois venho o Juninho Miqüinho e Candinho para participarem da rádio. Votávamos no melhor jogador em campo, era muito bom. Os campeonatos municipais sempre foram de grande tradição em Abre Campo e a rádio Baluarte também passou a ser importante. Tudo era ao vivo, no improviso. O campo sempre muito cheio. Lembro certa vez que compraram uma maca para tirar de campo jogadores machucados. Era o dia da estreia da maca. Dén anunciou após um jogador machucar: “Olha aí Cafezinho, vai estrear a maca. ” Foi quando então dois jogadores do time que estava perdendo naquele dia, correram, pegaram a maca, acomodaram o jogador contundido nela, e na pressa de retirá-lo, virou um jogador para um lado e o outro para o lado oposto, assim ficou cada um puxando para um lado. Foi uma festa total rsrs. Outro episódio que lembro, foi quando fui entrevistar Zezinho Paletó, meu compadre, amigo, que gosto demais da conta. O time do Zezinho perdeu e quando cheguei com o gravadorzinho velho, ainda na beira do campo para entrevistá-lo: “E aí Zezinho, perdeu o jogo por 1 x 0…” Ele, se tratando de uma pessoa muito aguerrida, soltou um palavrão, eu já virei de costas e saí dizendo: “Zezinho não quis falar com a imprensa.”
Então você veio morar em Rio Casca. Aqui aposentou e hoje você realiza um trabalho social com crianças. Como é este projeto?
Toda vida eu gostei de futebol. Desde a década de 80, ainda em Abre Campo, me envolvo com futebol. Naquela época eu jogado no “cascudinho” do Abre Campo Futebol Clube. Certa vez, também tive a oportunidade de treinar um time de crianças em Abre Campo, eu e o Gil Pi. Recentemente fui convidado para treinar a garotada da SER –Sociedade Esportiva Rio Casca, crianças entre 5 e 15 anos. Ano passado, também fui convidado para participar do Projeto Social, Bola na Rede, uma iniciativa do Prefeito Adriano Alvarenga. José Aparecido, conhecido como Taínha, Zezé da granja e eu somos os coordenadores do projeto, por sinal, excelente. Sempre gostei de trabalhar com categorias de base. Mais importante que tentar fazer um jogador profissional, nossa maior missão é fazer desses meninos homens de verdade, respeitadores, responsáveis, que estudem e não tomem rumos ruins. O foco mais são os estudos, depois vem a bola. Os meninos que surgem, tanto na SER como no Projeto, e são diferenciados, nós levamos para fazer teste em algum time de Futebol Profissional. Já estivemos no Flamengo, América mineiro, Corinthians, e outros mais. Sempre sob minha responsabilidade. Alguns meninos estão disputando o Campeonato Mineiro, Regional e Açúcar. Este ano estivemos na Argentina, levando uma promessa, o menino Gabriel Júnior, que disputou um torneio nas cidades de Mar Del Plata e Buenos Aires. Ele jogou pelo time convidado para o torneio, Bangu de Conselheiro Lafaiete. Eu tive o privilégio de acompanhá-lo nesta viagem.
Muito obrigado Nonato. Tenho certeza que você é muito querido em Abre Campo. Forte Abraço.
Eu que agradeço a oportunidade. Abre Campo é minha cidade. Gosto de falar que sou meio abrecampense e meio rio-casquense pelo fato de ser nascido e criado em Abre Campo e ser casado e ter dois filhos aqui em Rio Casca, Arthur Wendel e Alan Vitório. Estamos de portas abertas, tanto na SER quanto no Projeto Bola na Rede, para a garotada de Abre Campo. Abraço para todos meus amigos.
