ENTREVISTA COM O ABRECAMPENSE, TÉCNICO DE FUTEBOL DAS CATEGORIAS DE BASE DO ABRE CAMPO ESPORTE CLUBE, JOSÉ GUIMARÃES FILHO – ZEZINHO PALITÓ

O ABRECAMPENSE: Zezinho Palitó, como surgiu esse apelido?
ZEZINHO PALITÓ: Foi na época que jogava no time de Geraldo Tramelinha, pai de Edmar. Eu tinha um palitó branco que não tirava de jeito nenhum, ai surgiu o apelido Zezinho Palitó.
O ABRECAMEMPSE: Como foi sua trajetória no futebol de Abre Campo?
ZEZINHO PALITÓ: Comecei com nove anos na escolinha de futebol do Geraldo Tramelinha. Lá fiquei até os treze anos quando então passei a jogar com os adultos. Lembro bem, eu tinha quatorze anos e Pita quinze, quando subimos para a categoria principal do Abre Campo Esporte Clube. Lembro também do nosso primeiro jogo, logo na estreia, tomamos de 5 x 1 de um time de Caratinga.

O ABRECAMPENSE: E depois dessa estreia ruim, certamente vieram as vitórias. Como foram?
ZEZINHO PALITÓ: Com o passar do tempo, amadureci muito. Com o apoio dos mais velhos, como João Paulo Abreu, Juca Marreco, Geraldo Tramilinha, Tião Brasilino, Celinho Sapateiro, entre outros, tive a oportunidade de vivenciar experiências incríveis: Joguei com o time do Abre Campo Esporte Clube contra o time do Atlético Mineiro aqui em Abre Campo e empatamos em 2 x 2; perdemos para o Cruzeiro 2 x 0 e perdemos para o América Mineiro 2 x 1. Em 18 de dezembro de 1983, fizemos um jogo preliminar no Mineirão contra a Seleção de Belo Horizonte, perdemos de 1 x 0. Após nosso jogo teve Seleção Mineira x Seleção Capixaba, 5 x 1 para Seleção Mineira. Também atuei num jogo beneficente, promovido pela Loja Maçônica de Rio Casca, entre Seleção da nossa região contra
o Atlético Mineiro, 0 x 0. Na oportunidade, eu, Pita e Robertinho Miranda fomos convidados para participar representando a Seleção da nossa região. Jogadores das cidades de Abre Campo, Ponte Nova, Goiabal, Raul Soares, São Pedro dos Ferros, Piedade e Rio Casca foram convidados para participarem. O evento angariou fundos para comprar agasalhos para os necessitados.
O ABRECAMPENSE: Como surgiu o técnico de futebol Zezinho Palitó?
ZEZINHO PALITÓ: A idade foi chegando e eu não queria parar com o futebol. Então comecei a observar que podia ajudar as pessoas sendo técnico de futebol. Hoje eu posso ajudar meninos de rua, meninos carentes. Sou técnico das categorias de base do Abre Campo Esporte Clube.
O ABRECAMPENSE: Como é feito esse trabalho social?
ZEZINHO PALITÓ: Trabalho da seguinte forma: quem tem condições de pagar, paga e joga; os meninos que não tem condição de pagar, não pagam e jogam também, com direito a chuteiras e uniformes e exijo deles notas boas na escola. Assim eu ajudo. Quando uma criança que tem condições compra uma chuteira nova, eu recolho a chuteira velha, guardo, e quando um menino carente precisa, eu faço a doação. Às vezes recebo alguma ajuda, mas na grande maioria das vezes “ando com pires na mão”. Aproveito a oportunidade para pedir ajuda. Precisamos arrumar o campo, precisamos de bola, uniformes, chuteiras, alimentos, entre outras coisas. Recebemos mais de 50 crianças carentes para treinar e jogar, e há muito custo, porém temos que ajudar.

O ABRECAMPENSE: Há quantos anos você desempenha essa função de técnico?
ZEZINHO PALITÓ: Há mais de 30 anos, sou técnico de futebol. Já passaram por mim muitos meninos que hoje são homens de bem, formados, família constituída, excelentes cidadãos: Os gêmeos Alan e Edward Bedetti, os filhos de Eurípedes – Pinpin, Cláudio Padirim, Raone Almeida, Michel e Mitchel, Marcos de Teza, Luizinho e Jorge, ambos das Uzina, Pedrinho do Subtenente Pedro, Wander Júnior, Vaguinho de Zé Horta, Carlos Baguim, Toquinho da Cachoeira, Rômulo de Lanjinha, João Paulo Amorim, Felipe de Zé Celso, Marcinho Victor, e muitos outros. Desde já peço desculpas por não poder citar todos.

O ABRECAMPENSE: Só trabalhos com categorias de base?
ZEZINHO PALITÓ: Não. Já trabalhei com adultos também. Como técnico, fui campeão do Campeonato Municipal três vezes. Disputei o Campeonato do Açúcar quatro vezes e fui campeão, vice e terceiro lugar.
O ABRECAMPENSE: Muito obrigado pela entrevista. Boa sorte e parabéns pelo trabalho social que realiza diariamente em abre campo.
ZEZINHO PALITÓ: Eu que agradeço a oportunidade e aproveito para pedir ajuda para ajeitar nosso campo, assim me ajudar a tirar as crianças das ruas levando-as para o esporte.