JORNAL O ABRECAMPENSE:Bem, Dr. Felipe, é uma honra entrevistar mais um ilustre abrecampense. Graduado em Direito na Universidade Federal de Juiz de Fora, Pós-Graduado, Mestrando na Universidade de Salamanca – Espanha, Professor Universitário, Delegado de Polícia Civil e aos 34 anos de idade foi promovido Delegado Regional, um dos mais altos postos da Polícia Civil de Minas Gerais. Parabéns! Primeiro conta um pouco do Felipe, da família, um pouco de como tudo se iniciou aqui em Abre Campo.
DR. FELIPE DE ORNELAS CALDAS: Sou nascido e criado em Abre Campo, filho dos amados saudoso Sr. Agnelo e Dona Elaine. Passei a infância e adolescência nessa carinhosa cidade, onde minha mãe, tias e amigos residem e onde passo todos os domingos. Aos 17 anos fui aprovado no vestibular de Direito na UFJF e fui morar em Juiz de Fora. Formei em 2010 e no ano seguinte fui aprovado no Concurso de Delegado de Polícia (concurso de 5 etapas que durou 2 anos: prova objetiva, prova dissertativa, prova oral, prova psicotécnica e prova física). Formando na Acadepol, fui lotado primeiramente em Abre Campo e depois transferido para Matipó, onde casei com Cinthia (neta de Seu Totinho, abrecampense) e tive 2 filhos, Benício e Augusto. Fui Delegado em Matipó e sempre respondendo por Abre Campo sempre que lá ficava sem titular por 9 anos. Nesse período fui promovido duas vezes por merecimento, alcançando o nível Especial, penúltimo nível da carreira aos 31 anos de idade. Em maio recente, no dia do meu aniversário de 34 anos, fui nomeado Delegado Regional de Manhuaçu, cargo de confiança do Exmo. Governador do Estado de Minas Gerais. Sobre a vida acadêmica, em 2014 iniciei como professor de Direito na Faculdade Fadileste em Reduto, onde lecionei até 2018 na graduação e pós-graduação. De 2018 até hoje dou aula de Direito penal e Direito Constitucional da Faculdade Univértix de Matipó. Foram mais de 1 mil alunos até hoje. Tenho muito orgulho de ambas profissões.
JORNAL O ABRECAMPENSE: O que te inspirou a escolher o curso de Direito?
DR. FELIPE DE ORNELAS CALDAS: Á época, achava muito bonito as profissões possíveis de seguir com a graduação em Direito. O estudo e a leitura sempre estiveram presentes na minha formação familiar e escolar e sentia que ia gostar do Direito. Após amadurecer no curso e na vida, vejo o Direito como meio de transformar a vida das pessoas, na realização da Justiça e pacificação social.
JORNAL O ABRECAMPENSE: Dr. Felipe, quais são seus projetos na coordenação da Regional de Polícia Civil?
DR. FELIPE DE ORNELAS CALDAS: A área de segurança pública da Delegacia Regional de Manhuaçu é composta por 24 cidades e 7 Delegacias de Polícia (Abre Campo, Matipó, Manhuaçu, Manhumirim, Espera Feliz, Lajinha e Mutum). Abrangemos uma área de 6 Comarcas diferentes (Abre Campo, Manhuaçu, Manhumirim, Espera Feliz, Lajinha e Mutum). É uma responsabilidade muito grande gerir centenas de policiais civis, entre Delegados, Investigadores, Escrivães, Peritos e médicos legistas. Somos responsáveis pelo bom funcionamento dos serviços de investigação e polícia judiciária em toda essa área. O meu lema de gestão é “OUVRI PARA ENTREGAR”. No primeiro momento a gente ouve a população, através das lideranças de cada município, dialoga com Judiciário, Ministério Público, Defensoria, OAB, Polícia Militar e Rodoviária Federal, para diagnosticar onde podemos e precisamos melhorar. Dialogamos com nossos policiais internamente. No segundo momento, com diagnóstico traçado, podemos passar às estratégias para entregar o melhor serviço público prestado ao cidadão.
JORNAL O ABRECAMPENSE: Acredito que há penas severas previstas no Código Penal, porém também há muitos benefícios, o que transmite à população uma sensação de impunidade. O Senhor concorda? Sente indignado prender o mesmo infrator mais de uma vez dentro de um curto período de tempo? Outro fator que transmite essa sensação de impunidade é a demora em todo o curso do processo, desde a investigação até a sentença e sua execução. O Senhor acredita que essa sensação de impunidade contribui para o aumento da violência? Como solucionar, tornando o processo mais ágil sem ferir o princípio do contraditório, por exemplo?
DR. FELIPE DE ORNELAS CALDAS: o sistema jurídico punitivo/ressocializador precisa de uma reforma integral e harmônica. E não alterações pontuais no ordenamento jurídico, que acabam transformando o sistema numa colcha de retalhos. Orientamos a nossa equipe a não preocupar em saber o que ocorre após as nossas prisões, exatamente para não ocorrer frustrações e nem invasão em competências que não nos cabem. Nossa missão é: iniciar a persecução penal, com instauração de inquérito policial, instruí-lo com provas robustas e entregar pro Judiciário e MP um crime apurado, com autoria e materialidade delitivas bem definidas para Justiça possa ser feita. E torcemos para que a Justiça seja feita, como resultado do nosso trabalho bem feito. Se a pena será baixa ou se rapidamente voltará para as ruas, não nos cabe preocupar. Sempre digo, em várias situações da vida: “o que não está nas nossas mãos, não vale o sofrimento”.
JORNAL O ABRECAMPENSE: Muito obrigado pela entrevista. Parabéns mais uma vez pela brilhante carreira! Ainda há mais por vir! Deixe uma mensagem de apoio para todos os cidadãos, são tempos tão difíceis que estamos vivendo, toda questão da epidemia e a discussão é política. Tempos difíceis.
DR. FELIPE DE ORNELAS CALDAS:
Realmente são tempos muito difíceis que estamos vivendo desde março do ano passado, quando essa doença passou a matar milhares de pessoas. Eu e minha família perdemos nosso amado pai em julho do ano passado, no meio da pandemia, não de Covid-19, mas de forma inesperada, no momento em que os hospitais estavam lotados e vários protocolos de distanciamento em ativa. Quando ele se foi, um pedaço de mim foi arrancado. Resta a mim e a todos que passam por qualquer situação difícil na vida uma única saída: seguir com integridade e fé em Deus. Até porque, como bem escreveu meu irmão Elton aqui nesse jornal O Abrecampense em maio de 2021 “morrer mais cedo ou mais tarde não importa; importa é morrer bem ou mal”, parafraseando o filósofo Sêneca. Portanto, sigamos com a certeza de que a vida é um sopro e o espírito é eterno. E por isso, devemos nos atentar para viver da melhor forma, com fé em Deus, com integridade e fazendo o bem, todos os dias da nossa vida. Que assim seja! .’.