Jornal O AbreCampense: Padre Paulo, discorra sobre um pouco de suas origens em Abre Campo.
Padre Paulo: Nasci no Município de Abre Campo, no Córrego denominado Romeiro de Cima, no dia 19 de março de 1958. Sou o sexto dos nove filhos do casal Sebastião Quintão Filho e Ambrosina Mendes Quintão. Cursei o Ensino Fundamental nas Escolas Dr. José Grossi e São João Bosco. Aos 9 anos mudei-me com a minha Família para a Cidade, onde gostava do convívio com os colegas, jogando futebol no campinho do Sarandi e nos divertindo na Pracinha da Matriz. Cursei até a oitava séria no Colégio de Abre Campo e parti para o Seminário de Mariana, visando minha formação acadêmica com o objetivo de me tornar Padre. Em Mariana fiz o Ensino Médio no Seminário Menor e os Cursos de Filosofia e a Teologia no Seminário Maior São José de Nossa Arquidiocese.
Jornal O AbreCampense: E quanto ao Padre? Quando e como decidiu ser padre, quando e onde foi ordenado, qual foi a primeira e atual paróquia?
Padre Paulo: Senti o chamado de Deus para ser Padre em minha Primeira Confissão Sacramental, no dia de minha Primeira Comunhão Eucarística. Ocasião em que eu disse: quando eu crescer quero ser bom igual o Monsenhor Geraldo da Costa Val é bom! Iniciei minha vida sacerdotal ainda no Seminário, como Administrador Paroquial da Paróquia São Caetano, de Monsenhor Horta (1984). Em seguida, como Pároco em Ponte Nova, Santíssima Trindade, dei assistência pastoral ao Curato de Oratórios e como Administrador Paroquial à cidade de Amparo do Serra (1985 a 1986). Pároco em Barbacena, Paróquia Nossa Senhora da Piedade (1986 a 2003), época em que ocupei ainda os seguintes cargos: Vigário Episcopal; membro dos Conselhos Arquidiocesanos Presbiteral e de Pastoral, Assessor Arquidiocesano da Pastoral da Juventude, Vice-Coordenador dos Presbíteros da Arquidiocese de Mariana e Vigário Forâneo. Proferi sermões, por ocasião de Semanas Santas e Festas Religiosas: em Ouro Preto, Mariana, São João Del Rei, Barbacena, Abre Campo, Viçosa, Ponte Nova, dentre outras cidades do interior de Minas. Retiros Espirituais a Seminaristas e Religiosas em vários Estados do Brasil. Desde 2003, sou Pároco em Viçosa, na Paróquia e Santuário Santa Rita de Cássia.
Jornal O AbreCampense: É possível, e gostaria, algum dia, o Senhor ser pároco em Abre Campo?
Padre Paulo: Normalmente nós não somos nomeados para o exercício do Ministério como Pároco na Cidade Natal. Cultivo um vínculo permanente com a nossa querida Abre Campo: saí de Abre Campo, mas Abre Campo nunca saiu nem sairá de mim. Sempre que posso estou presente junto à minha família e aos meus conterrâneos, pois vocês são a vida da minha vida. Sou um eterno Padre Paroquiano de Senhora Sant’Ana e não troco esta alegria por nada neste mundo.
Jornal O AbreCampense: O que o Senhor acha de padres posicionarem politicamente? Nosso Bispo, Dom Airton José dos Santos, o que orienta?
Padre Paulo: A missão sacerdotal é mais ampla do que o posicionamento político partidário. Como cidadão o Padre exerce este direito e dever. Como Sacerdotes, não tomamos partido, ou uma parte do Rebanho de Cristo. A posição de nosso Arcebispo Dom Airton José dos Santos é a mesma da Igreja que, por sua vez, põe em prática a Palavra da Bíblia na Epístola aos Hebreus: “Nós estamos no mundo, mas não somos do mundo!”.
Jornal O AbreCampense: Padre Paulo, entendo que nos dias de hoje, na celebração do matrimônio, o foco primário na maioria das vezes está sendo os arranjos, os trajes e as fotografias para o álbum e redes sociais. E a essência deveria ser a celebração do estreitamento íntimo e espiritual, a celebração do matrimônio, um plano sério de vida a dois. O Senhor concorda? Está sendo feito alguma coisa para a inversão desses valores?
Padre Paulo: Há uma tendência no desvirtuamento do sentido da celebração do Sacramento do Matrimônio, o que é uma perda inestimável. Não podemos generalizar, uma vez que há sim os que estão focados na essência do sentido mesmo que celebram diante de Deus, como uma vocação. A Pastoral Familiar tem feito, em nossas Paróquias, um edificante serviço de conscientização cujos frutos colhemos constantemente. Percebo que, muitas vezes, a falta de compreensão do que seja a grandiosidade da vocação matrimonial, perde-se o foco e se debruça em criatividades no afã de ilustrar o evento em seu caráter social meramente. Tenho, ao longo de meus 37 anos e meio de Ministério vivenciado muitas alegrias junto a casais focados na essência deste mistério do amor de Deus, onde o homem e a mulher se descobrem feitos um para o outro e os dois para a família que constituem.
Jornal O AbreCampense: Muito obrigado pela entrevista. Permito-me transmitir o carinho dos abrecampenses ao Senhor e parabenizá-lo pelo dom da humildade e a paz com que conduz suas palavras.
Padre Paulo: Lembro-me de uma Tia Avó, Tia Madalena, que sempre nos dizia: “Amore vai e amore vem!”. O mais belo na vida é esta verdade: a reciprocidade. Empatamos no grau de carinho e amor. Parafraseando o Padre Zezinho, SCJ: Eu não me tornei Padre em minha Ordenação, eu fui ficando Padre todo dia. E mais, eu não me tornei Padre sozinho, Abre Campo e minha família foram ficando PADRE comigo!