Felicidade na Aposentadoria: a opinião dos abrecampenses

A felicidade e o bem-estar são assuntos complexos e de muita discussão, pelos quais a psicologia tem se interessado nas últimas décadas. Sob a ótica da psicologia, a pessoa feliz é aquela que experimenta emoções positivas e avalia positivamente os vários aspectos de sua vida. Com relação às pessoas mais velhas, o envelhecimento bem-sucedido geralmente está relacionado às condições de saúde e financeira, à qualidade de vida do local onde ela vive, aos laços sociais, afetivos e familiares que possui e às diversas atividades em que se envolve, como as atividades físicas, os hobbies, o voluntariado, as atividades culturais e as próprias tarefas domésticas. Interessada em saber um pouco mais sobre o assunto, desenvolvi uma pesquisa que ajudasse a entender melhor as condições dos aposentados da minha região. Para isso, contei com o apoio de vários colaboradores e, juntos, entrevistamos aposentados residentes em Abre Campo e Belo Horizonte, tendo como objetivo comparar a realidade das duas cidades. Ao final, tivemos a participação de 279 aposentados, sendo 145 residentes em Abre Campo e 134 residentes em Belo Horizonte, que relataram sua sensação de felicidade e informaram dados sobre sua saúde, situação financeira, suporte social e atividades realizadas. Ao final da pesquisa, os resultados demonstraram que o apoio social, a satisfação financeira e a satisfação com a saúde são aspectos que influenciam a felicidade dos aposentados, independente da cidade de moradia. Mais especificamente em Abre Campo, os aposentados se consideraram felizes e apontaram a saúde e o suporte social como os principais responsáveis por proporcionar a sensação de felicidade, até mais do que a condição financeira. O que esses resultados significam? Significam que os entrevistados da nossa cidade atribuíram grande valor a sua saúde e a proximidade de amigos e familiares nesta fase da vida. Além disso, eles relataram que sua felicidade estaria relacionada a estar razoavelmente bem economicamente, de maneira que seja possível suprir suas necessidades. A partir do que foi encontrado nesta pesquisa, é possível pensar em ações, individuais ou comunitárias, que devem ser priorizadas com o objetivo de aumentar o bem-estar dos aposentados da nossa convivência. São alguns exemplos de atividades a serem incentivadas: os exercícios físicos, a alimentação saudável, o planejamento financeiro, a participação em grupos diversos e a convivência familiar. Além disso, é muito importante observar qualquer sinal de grande insatisfação com a vida e procurar uma ajuda psicológica especializada. A felicidade é algo importante em todos os estágios da vida, e na aposentadoria não é diferente. Com informação e esclarecimento, todos nós podemos contribuir de alguma forma para promover o bem-estar dessa população.
*Os resultados completos deste estudo estão disponíveis na revista científica ‘Psicologia, Reflexão e Crítica’, volume 30.

Silvia Miranda Amorim é abrecampense, formada em Psicologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre e doutora pela Universidade Salgado de Oliveira (Niterói, Rio de Janeiro), com estágio doutoral na Universidade de Coimbra (Portugal). Atualmente é professora na Universidade Federal Fluminense (Niterói, Rio de Janeiro).