RELATOS DA TRAGÉDIA

 

No dia 23 de janeiro, a água do Rio Santana voltou nos bueiros. Assim, ficamos em alerta. No dia 24, ficamos atentos todo o dia, porém, por volta das 18h, recebemos uma ligação de Sericita informando que por lá ocorria uma forte chuva, aumentando nossa preocupação. Já, por volta das 20h, começou chover com muita intensidade em Abre Campo e às 21h a água do rio começou a sair nos bueiros. Foi muito rápido! Às 21h20mim, já tinha um metro de água na avenida, invadindo o Supermercado Braga e outros comércios. Retiramos algumas mercadorias e colocamos no caminhão, que estava na porta do supermercado, mas infelizmente não conseguimos retirar o caminhão que foi arrastado pela enchente até a Praça Tiradentes. Foram momentos muito difíceis. Perdemos produtos e grande parte da reforma, havíamos reinaugurado há 34 dias, enfim, um prejuízo enorme, mas com as bênçãos de Deus não houve nenhuma vítima. Recebemos ajuda de voluntários e dos nossos colaboradores na limpeza e reconstrução. Após, num período, atendemos nossos clientes às margens da BR 262, no Espaço de Festas Braga. Agora, já estamos funcionando novamente na Avenida Raul Soares. Nos dias de hoje, passamos por outro momento difícil – a pandemia do Covid-19 (coronavírus) e estamos tomando todos os cuidados com nossos clientes, colaboradores e fornecedores. Tomamos medidas de cautela para minimizar a transmissão do vírus. Pedimos a Deus que olhe para nossa cidade e por todo mundo. Que esses momentos sejam de aprendizado e superação para todos
nós.’’

Mayron e Mauro Braga – Sócios no Supermercado Braga rede Opa

 

‘‘Sexta-feira, dia 24 de janeiro de 2020, todos em alerta sobre o possível transbordamento do rio santana, onde, próximo, tenho uma loja do grupo Brandette loja, onde também pedi pra esvaziar a loja de todos os eletroportáteis. Após uma pancada de
chuva, o rio já muito cheio e todos falavam que vinha muita água de sericita e dos córregos próximos. Por volta das 21h, tive a
notícia que não queria, a água do rio estava na rua, desci rapidamente e fiz contato com alguns funcionários que se prontiveram imediatamente a vir, fomos puxando os produtos pra parte de cima da loja, caminhão na rua pra colocar produtos , mas a
água subiu tão rápido que dentro de 40min a água estava dentro da loja, 1,60 metros,onde estava impossível locomover. então tivemos que ir para o segundo andar e a água subindo degrau por degrau. Até que por volta das 2h estabilizou, mas com aproximadamente 3 metros de água dentro da loja, onde ficamos ilhados e contando com ajuda de vizinhos do prédio ao lado pra pedir água e café. todos sujos e molhados, tivemos que ficar até amanhecer. Ficamos na janela do prédio vendo aquele rio no meio das ruas, muitas coisas de uso pessoal descendo na correnteza, casas simplesmente caíram e não sobrou nada, muito eletrodoméstico, sapatos, móveis, simplesmente indo embora na água. Quando amanheceu, descemos pra ver o estrago, lama até o joelho , muitos móveis perdidos, aí começamos o mutirão pra limpar a loja, mas foi uma coisa que nunca tinha passado e
realmente que ainda tenho que agradecer, pois conseguir salvar grande parte, mas vi que algumas pessoas nada conseguiram salvar, saindo apenas com a roupa do corpo. Então ficou pra mim um aprendizado, que tenho comércio beira rio, épocas de muita chuva, sempre loja mais vazia e sempre, sempre olhar e monitorar o rio e a cabeceira do rio.’’

Rômulo Bedette – sócio proprietário do grupo Brandette Lojas

 

‘‘Como é triste ver uma parte da minha infância, destruído pelas enchentes. Lugar onde eu brincava, eu corria, até nas árvores
eu subia, ali era onde encontrava com os colegas para contar caso. Quando vou em Abre Campo, e passo perto desta pracinha, vem um filme em minha memória, de como eu vivi ali durante 11 anos, onde passei a maior parte da minha infância, até os 12 anos de idade. Quando chego nesta praça, é como se abrisse um baú, e dentro dele cheio de boas lembranças de minha infância. Ali todos os dias eu ficava com minha caixinha de chup chup, outrora com meu caixote de engraxate, para ganhar meu troquinho, para levar merenda para escola no outro dia. Como eu gostava de brincar neste coreto, até bola a gente jogava dentro dele. Hoje só nos resta as lembranças e a saudade dos bons tempos ali com os amigos. Deus abençoe que tudo seja reconstruído o mais rápido.’’

Humberto Osvaldo Ferreira

Ex aluno da escola Dom João Bosco
Filho de Francisco Ferreira (Chiquinho) e Maria Madalena (Leleta). Vice Prefeito de Pedra Bonita/MG

 

 

‘‘É sexta-feira! Sexta!!!
24 de janeiro de 2020.
Em nós ainda habita o espírito do ano novo que se inicia.
Sonhos, projetos, planos, expectativas.
Estamos em nossa zona de conforto.
E, de repente, tudo muda.
Chove muito, “sem parar”. E “sextou” diferente!!
As águas invadem nossas casas, comércios, nossas áreas de lazer, nossos ambientes de trabalho. Há muita destruição. Há choro, angústia, tristeza, medo, incerteza. Mas há também voluntários movidos por uma coragem sem fim, há o poder público
cumprindo suas obrigações, há irmãos na fé trazendo conforto e palavra amiga, há união, há alegria, há novamente sonhos e expectativas. Há esperança. E o pulsar da vida continua. Somos brasileiros, a gente não desiste nunca. Foi difícil? Sim. Mas, fica para nós a comprovação do quão fortes somos quando solidários e unidos. Nossos agradecimentos a todos que nos
ajudaram. Deus os abençoe!’’

Vanda Martins Dias de Paiva – Professora 

 

No dia 24 de Janeiro, sai de casa às 22:20 horas para ajudar a socorrer o hospital e os pertences da saúde, no calor do momento em ir socorrer o próximo não cheguei a pensar no risco em que poderia correr, não pensei duas vezes e sai imediatamente; ao passar pela ponte próximo ao posto (Minas Mar), fui surpreendido pela forte enchente que passava pela parte mais baixa da rua depois da ponte, o motor da moto desligou e a moto parou de funcionar. A água com uma força imensurável levou a moto e minha aliança, com muita fé e perseverança a Deus consegui me agarrar no muro e sair daquele momento angustiante. Por volta das 11:30 horas da manhã de sábado, me ligaram dizendo que tinham encontrado minha moto. No momento fiquei sem acreditar pela quantidade e pela força da água que havia passado durante toda madrugada derrubando muros e arrancando
árvores. Ao buscá-la, a mesma estava intacta neste momento encontrei com amigos, onde me disseram também ter encontrado a minha aliança. Agradeci á Deus mais uma vez, pois primeiro Ele me concedeu a vida novamente diante da enchente, depois me devolveu os materiais, os quais jamais imaginaria encontrar.’’

Wanderson Dias – Enfermeiro na Secretaria de Saúde do Município de Abre Campo