Abre Campo… Quando criança e ouvia este nome, impossível encobrir o brilho de alegria nos olhos da menina que viveu naquela cidade só até os 5 anos de idade. Alegria de passear nas praças encantadoras, com seus jardins bem cuidados, árvores com formas definidas; alegria de participar das celebrações de Sant’Ana, ver os fogos a colorir o céu dessa cidade formosa; alegria de, nas férias, entrar num Pássaro Verde e visitar os tios, os primos, seja no campo ou na cidade… Depois cresci, e o carinho por nossa cidade cresceu também em mim.
Minha história começou em Abre Campo. Meus pais, Antônio e Maria Helena, foram nascidos e criados em Abre Campo. Meu pai, da família dos Messias, filho da vovó Joaquina e do vovô Nestor. Minha mãe, da família dos Braga e dos Pinheiro, filha da vovó Magelita e do vovô Elpídio.
Viemos para Belo Horizonte, para “tentar a vida” e aqui nos estabelecemos.
Em nossas vidas, existem fatos que nos marcam para sempre. No meu caso, um deles aconteceu em 1991, quando voltávamos de Abre Campo e fomos surpreendidos por um acidente automobilístico na BR 381, próximo a João Monlevade.
Fiquei com uma sequela visível, fácil de ser constatada: a paraplegia.
Por um tempo parei com os estudos e me ocupei de minha reabilitação. Posso afirmar que foi tempo de crescimento. Não me lembro de ter me revoltado em momento algum. Pelo contrário, era muito alegre porque celebrava minha vida que tinha sido preservada. Minha rotina passou a ser a fisioterapia. Coisas que antes eram tão simples de serem executadas, como sentar-me, por exemplo, passaram a ser desafios que me esgotavam pelo cansaço. Minha família foi, e continua sendo, grande manifestação do carinho de Deus e apoio fundamental para minha vitória.
Hoje, já se passaram 27 anos e muita coisa mudou em minha vida desde então. Foi uma readaptação. Naquela época tinha planos para o futuro: formatura, casamento, família… Nem todos se concretizaram, mas por outro lado consegui outras realizações como bom emprego, novas amizades, viagens, casa grande. Pude experimentar de um ditado popular que diz que quando Deus fecha uma porta, abre uma janela. No meu caso, foram muitas outras.
Tenho uma família numerosa: meus pais, somos cinco irmãos, três cunhadas, um cunhado, oito sobrinhos, todos maravilhosos e que fazem minha vida mais alegre. Em nossa casa, aqui em BH, vivemos muito daquela coisa de casa de interior: família reunida aos domingos, crianças correndo pela casa, muita conversa, comida e bebida das boas, sem nunca nos esquecermos da oração.
Saí da cidade, mas Abre Campo está em mim… E sempre que possível volto para matar as saudades dos parentes, dos amigos e da terrinha amada. É uma grande honra ser uma abrecampense!