Abrecampense Ausente

Abre-campenses em trânsito, as raízes que jamais se apagam

Convidados para a coluna “Abre-campenses Ausentes”, confessamos uma dúvida: somos mesmo ausentes? Embora o trabalho nos mantenha em Governador Valadares, parte de nós continua em Abre Campo. Não passamos tanto tempo longe; sempre que podemos, voltamos para os encontros em família, resenhas com amigos e festas da nossa terra.

Nascidos e criados em Abre Campo, ali construímos raízes, estudando no Grupo Dom Bosco e no Colégio Abre Campo, marcantes em nossa formação. Tivemos infância de rua: subindo em árvores, brincando de pique, jogando futebol, fazendo trilhas e tocando violão. Como toda boa infância abre-campense, vivemos inúmeras tardes no coreto da Praça Tiradentes, cenário de felizes lembranças.

Eu, Matheus, orgulho-me de ser filho da Tia Dôra (da Escolinha Céu Azul, que marcou gerações) e do Rivelino (filho do saudoso Sr. Adão). Já Larissa traz a tradição da família Cotoco, filha da Patrícia e do Wanderley, e irmã do Victor do Chup-Chup.

A Praça da Matriz era o coração da cidade e ponto de encontro. Nesse cenário, nossa história começou e estamos juntos há 13 anos, nos conhecemos na inesquecível Doce Mel. Vivemos a boa época da Kiskina, Pavê e Comê e Ponto Com. No Carnacampo, o namoro engatou no Bloco das Cabacinhas. Que saudade dos bloquinhos de rua e da animação dos Blocos do Rosário e do Cemitério!

Nossos passos profissionais começaram cedo. A orgulhosa trajetória de Larissa iniciou aos 15 anos no escritório do Dr. Vanderlúcio, de onde guardamos doces lembranças da Fazenda Boa Sorte. Apaixonada pela profissão, viveu as boas resenhas na van do Celso rumo à faculdade de Direito em Reduto, estagiou na 2ª Vara do Fórum de Abre Campo e atuou na Advocacia Souza, do Juninho.

Eu saí para cursar Engenharia, mas sempre voltava para rever todos. Também trabalhei em algumas temporadas da Cotochés. Formado, tive passagens rápidas pelo Rio de Janeiro e por Belo Horizonte, mas o desejo de casa falou mais alto. Retornei a Abre Campo e dediquei-me aos concursos públicos, amparado por amigos e familiares com trabalhos temporários (sou muito grato a todos, sem citar nomes para não ser injusto). Trabalhei também na Hudson Security e na DM Imóveis, até ser convocado ao serviço público.

Casados, fomos muito felizes no prédio da Selma (de João de Souza), palco de incontáveis churrascos. O esforço rendeu frutos e a vida nos levou a Governador Valadares. Lá, tenho a alegria de atuar no IFMG, mantendo viva a vocação educacional de casa, enquanto Larissa segue firme com a advocacia, consolidando a paixão nascida em Abre Campo com a dedicação daquela menina de 15 anos.

Encontramos um pouco de Abre Campo também em Valadares, cidade que abriga muitos outros abre-campenses. Fomos carinhosamente acolhidos pelo casal Maria Inês e Aloísio. Esse abraço diminuiu a distância e reforçou que o abre-campense é acolhedor e tem um coração gigante.

No fim do ano passado, nossa vida ganhou sua cor mais bonita com a chegada da Maria. Ela já é uma abre-campense convicta, pronta para ver o bloco “Os Ki Sobrou” passar pelas ruas.

Agradecemos a Deus, pois sem Ele nada somos. Ele guia nossos passos, abençoa nossa família e nos permite trilhar este caminho com fé, esperança e gratidão, mantendo nossa essência.

Não somos ausentes; somos abre-campenses em trânsito, com a esperança de voltar ao lugar onde fomos tão felizes. Aos familiares, amigos e conterrâneos, um abraço fraterno. Até logo, pois no próximo feriado, estaremos de volta em casa.

Por Matheus, Larissa e Maria

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